Nas intervenções de reabilitação, remodelação ou alteração de edifícios existentes, uma das maiores dificuldades está em representar, de forma clara, o que se mantém, o que é demolido e o que será construído de novo.
Tradicionalmente, esta informação é apresentada através do chamado método dos amarelos e vermelhos, muito utilizado em projetos de alteração. Neste sistema, os elementos a demolir são normalmente representados a amarelo, enquanto os elementos novos ou a construir são representados a vermelho.
Com a utilização de software BIM, como o Edificius da ACCA software, este processo torna-se mais rigoroso, visual e coordenado, permitindo gerir a intervenção a partir de um modelo tridimensional inteligente.
O que é o método dos amarelos e vermelhos?
O método dos amarelos e vermelhos é uma forma gráfica de identificar as alterações propostas num edifício existente.
De forma geral:
- amarelo representa os elementos a demolir ou remover;
- vermelho representa os elementos novos a construir;
- os restantes elementos representam a construção existente a manter.
Este método é especialmente útil em processos de licenciamento, legalizações, projetos de alteração, reabilitações interiores e intervenções em edifícios existentes, porque permite comparar rapidamente a situação atual com a proposta futura.
A dificuldade do método tradicional em CAD
Quando este processo é feito em CAD 2D, cada planta, corte ou alçado tem de ser atualizado manualmente. Isto pode gerar vários problemas:
- incoerências entre plantas, cortes e alçados;
- erros na identificação dos elementos demolidos e construídos;
- duplicação de trabalho;
- dificuldade em visualizar a intervenção global;
- maior risco de falhas na preparação das peças desenhadas.
Numa remodelação, uma simples alteração numa parede pode obrigar a corrigir várias plantas, cortes, alçados, mapas e pormenores. Quanto maior for o projeto, maior é o risco de erro.
Como o BIM melhora a gestão das intervenções
Com o BIM, o projeto deixa de ser apenas um conjunto de desenhos separados e passa a ser gerido através de um modelo digital tridimensional. No caso do Edificius, é possível trabalhar com a situação existente, a proposta de intervenção e a representação dos elementos demolidos e novos de forma mais coordenada.
A ACCA disponibiliza ferramentas no Edificius para trabalhar com projetos de reabilitação, comparando a situação atual com a situação de projeto, permitindo identificar elementos demolidos, reconstruídos ou novos através do chamado Project Group.
Isto permite que o projetista compreenda melhor a intervenção e produza peças desenhadas mais coerentes.
O papel do Edificius nas obras de reabilitação
O Edificius permite desenvolver o modelo BIM do edifício existente e, a partir desse modelo, planear a intervenção. O utilizador pode representar paredes, pavimentos, coberturas, vãos, escadas e outros elementos, distinguindo aquilo que se mantém, o que será demolido e o que será construído de novo.
Além disso, o Edificius integra ferramentas de modelação 2D e 3D, renderização, fotomontagem, realidade virtual e visualização, o que facilita a comunicação da proposta ao cliente e aos restantes intervenientes. A ACCA apresenta o Edificius como uma solução BIM integrada para projeto arquitetónico 2D/3D, renderização, vídeo e realidade virtual.
Do levantamento ao modelo BIM
O processo pode começar com o levantamento do edifício existente. Esse levantamento pode ser feito a partir de plantas antigas, medições no local, fotografias, nuvens de pontos ou outros elementos disponíveis.
Depois, o edifício é modelado em BIM, criando uma base digital da situação atual. A partir daí, o projetista define a proposta de alteração, identificando:
elementos existentes a manter;
elementos a demolir;
elementos novos a construir.
Esta organização permite gerar plantas, cortes e alçados de forma mais consistente e com menor risco de contradições.
Vantagens práticas do método dos amarelos e vermelhos em BIM
A utilização deste método dentro de um ambiente BIM traz várias vantagens.
Em primeiro lugar, melhora a clareza da informação. O cliente, a câmara municipal, a fiscalização e a equipa de obra conseguem perceber rapidamente quais são as alterações propostas.
Em segundo lugar, reduz o risco de erros de coordenação, porque as vistas derivam do mesmo modelo. Uma alteração feita no modelo pode ser refletida nas várias peças do projeto.
Em terceiro lugar, facilita a medição dos trabalhos, distinguindo demolições, construção nova e elementos existentes. Isto é particularmente importante para orçamentação, planeamento e controlo de obra.
Por fim, melhora a comunicação visual, sobretudo quando se recorre ao modelo 3D, imagens realistas ou apresentações interativas.
Aplicação em projetos de licenciamento e legalização
Em muitos processos de licenciamento ou legalização, é necessário demonstrar claramente a diferença entre o existente e o proposto. O método dos amarelos e vermelhos continua a ser uma linguagem muito eficaz para essa finalidade.
Com o Edificius, esta representação pode ser integrada num fluxo BIM mais completo, permitindo apresentar plantas de demolição/construção, cortes, alçados e imagens tridimensionais da intervenção.
Desta forma, o projeto torna-se mais fácil de analisar, tanto para entidades licenciadoras como para clientes e equipas técnicas.
Ligação a medições e orçamento
Uma das grandes vantagens de trabalhar em BIM é a possibilidade de associar a informação do modelo às quantidades. Em intervenções de reabilitação, isto permite separar melhor os trabalhos de demolição, construção nova, substituição ou manutenção.
No ecossistema ACCA, esta ligação pode ser reforçada com soluções como o PriMus, orientado para medições e orçamentação. Assim, o modelo deixa de servir apenas para desenhar e passa também a apoiar decisões económicas e de planeamento.
Conclusão
O método dos amarelos e vermelhos continua a ser uma ferramenta essencial para representar intervenções em edifícios existentes. No entanto, quando aplicado num ambiente BIM, como o Edificius, ganha uma nova dimensão.
Em vez de trabalhar apenas com desenhos 2D independentes, o projetista passa a gerir a intervenção a partir de um modelo digital coordenado, onde é possível distinguir claramente o existente, o demolido e o novo.
Esta abordagem melhora a qualidade da informação, reduz erros, facilita a comunicação e torna o processo de reabilitação mais eficiente.
Na prática, o BIM não substitui a lógica dos amarelos e vermelhos: torna-a mais rigorosa, inteligente e integrada.